Autor afirma que Jesus se pronunciou sobre a homossexualidade
Escrito por RádioC    Qua, 23 de Maio de 2012 11:26    PDF Imprimir E-mail

Michael Wood projetou o REDOC-II – um dos únicos códigos invioláveis da computação de hoje. Também aplicou seus conhecimentos de análise criptográfica para monitorar o corpo humano, observando mudanças sutis de decodificação na frequência cardíaca. Ele decidiu ainda usar suas habilidades de criptoanálise para encontrar padrões na língua, cultura e legislação judaicas no primeiro século. Após dez anos de estudo, conseguiu “provar” que existiam nos tempos do Novo Testamento padrões de comportamento ditados pelo que ele chama de “Justiças” e “Obras”.

Em seu livro mais recente, Jesus on Homosexuality [O que Jesus disse sobre a Homossexualidade], o criptólogo afirma que durante quase dois mil anos estudiosos ignoraram esse aspecto essencial dos ensinamentos de Jesus.

Ele afirma que Jesus ensinou repetidamente sobre um grupo bem conhecido de mandamentos chamado de “Justiças”. Eles estabeleciam para o povo da época o que era necessário para a vida eterna e o que importa no Dia do Juízo. A proibição da homossexualidade não era um aspecto essencial, diz Wood.

Se os argumentos do autor estiverem corretos, toda a mensagem de salvação ensinada por Jesus estava baseada neste grupo de leis que não incluíam a proibição da homossexualidade. Em outras palavras, Jesus ensinava que a homossexualidade era irrelevante para a salvação e julgamento.

“O cristianismo começou originalmente como uma seita dentro do judaísmo, num momento em que ele se dividia entre Justiças e Obras”, explica Wood. “Os escritos de Justino Mártir, datados do século II, mostram que, quando os gentios dominaram a fé no segundo século, trouxeram com eles a premissa falsa de que a lei judaica foi dividida em moral e ritual. Isso ficou para a história”.

As Justiças abordavam questões de filantropia e ética, enquanto as Obras falavam sobre observâncias rituais e tabus sexuais. A divisão era baseada no preceito: “Ame o teu próximo como a si mesmo”. “Por exemplo, o mandamento de não estuprar era das Justiças e a proibição sobre a homossexualidade era das Obras”, diz.

Wood destacou que Jesus, Paulo e Tiago utilizaram o mesmo preceito de amor ao próximo. “Agora sabemos que eles usaram este preceito como referência a um grupo bem conhecido de mandamentos – as Justiças”, disse ele. “Cada um, à sua maneira, utilizou isso para explicar o preceito que somente as Justiças são a lei cristã”.

Michael Woods já escreveu sobre suas “descobertas” em outros livros sobre a questão da homossexualidade: “The Jesus Secret”, “Breaking the Romans Code” e “Paul on Homosexuality”.

Agora, após 10 anos de pesquisa, ele lança pela Tubi Publishing, um material que inclui dezenas de notas de rodapé citando escritos históricos e outros materiais acadêmicos.
Uma versão em ebook, com 56 páginas, pode ser baixada gratuitamente no site www.JesusOnHomosexuality.com. O autor explica que escreveu esse livro para gerar o diálogo sobre uma questão “muito necessária entre os cristãos” e tentar minimizar “um erro de 1.900 anos de idade”.

Um dos exemplos bíblicos que o livro usa para apoiar a afirmação de que Jesus repetidamente apresentou apenas as Justiças como a totalidade da lei é a resposta de Jesus ao jovem rico em Mateus 19:16-19. “Jesus citou apenas mandamentos éticos e, em seguida, acrescentou “Ame ao seu próximo como si mesmo”, o preceito que designa as Justiças. Em outras palavras, Jesus afirmou que apenas as Justiças importavam. Todas as Obras foram excluídas.

Essa exclusão deliberada era uma declaração clara da posição de Jesus sobre os rituais (como a proibição de comer mariscos ou usa roupas feitas com dois tipos de tecidos) e os tabus sexuais (como a proibição da homossexualidade e fazer sexo durante o ciclo menstrual). A descoberta das Justiças e Obras finalmente revela a mensagem original de Jesus”, encerra Woods.

Consultado pelo portal Gospel Prime, o pastor Zwinglio Rodrigues da Igreja Batista Vida, enviou o seguinte comentário:

“Nunca li nada do senhor Wood. Nem tampouco entendo alguma coisa de criptografia. No entanto, algumas afirmações dele não resistem a uma análise séria das Escrituras.

De acordo com a matéria, parece que ele afirma ter Jesus desautorizado referências da Lei que condenam o homossexualismo.

Ora, descobrimos que isso não é verdade quando lemos Mateus 5:17-18: “Não penseis que vim revogar a lei ou os profetas; não vim para revogar, vim para cumprir. Porque em verdade vos digo: até que o céu e a terra passem, nem i ou um til jamais passará da lei, até que tudo se cumpra”. Pode-se alegar que Jesus nunca falou diretamente sobre o homossexualismo. No entanto, não se pode negar que por esta Escritura Ele pautou tal tema sem se ocupar em corrigir qualquer ponto. Pelo contrário, Ele reconhece a autoridade do que está escrito na Lei.

Outro ponto bastante suspeito é afirmação de que o Cristianismo começou originalmente como uma seita dentro do Judaísmo. Não concordo, pois a narrativa de Lucas e Atos, a meu ver, apontam o Cristianismo como uma entidade independente. Me parece que desse expediente depende toda a teorização de Wood sobre o que ele chama de “Justiças” e “Obras”.

A respeito desta distinção, ela não convence, a priori, visto, ao que parece, ser ela apenas produto da abordagem dele. Até onde tenho podido constatar, nenhum especialista em Novo Testamento ensinou sobre tal polarização. Uma coisa é fato: Jesus e as origens cristãs sempre fascinaram o público de modo geral. Em nome deste fascínio, muitas coisas tem sido escritas que não merecem crédito. Talvez o texto de Michael Wood deva ser incluído nesse rol”.

Fonte: Einn News

Última atualização ( Qua, 23 de Maio de 2012 11:46 )
 

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