Havia um mestre oleiro que vivia em uma vila conhecida por produzir as cerâmicas mais resistentes da região. Um dia, um jovem aprendiz, ansioso para mostrar seu talento, aproximou-se da mesa de trabalho e viu o mestre moldando um pedaço de argila bruta.
O jovem observava, mas não entendia. Ele via o mestre parar, parar, e então continuar. Ele via o mestre bater no barro, depois suavizar o barro com as mãos úmidas.
— Mestre — perguntou o jovem —, por que você para tanto? Por que não molda a peça de uma só vez, com um movimento contínuo?
O mestre sorriu e respondeu: — Se eu não parar, eu não vejo as bolhas de ar. Se eu não parar, eu não sinto onde o barro está fraco. Se eu não parar, eu não posso dar ao barro o tempo necessário para se ajustar à minha mão.
O jovem então apontou para uma peça que estava sendo descartada. Era uma jarra que havia rachado enquanto era moldada. — Mas aquela ali quebrou. Por que não a consertou?
O mestre pegou a jarra quebrada e explicou: — Ela não quebrou porque eu não a moldei bem o suficiente. Ela quebrou porque eu tentei apressar o tempo do fogo. O barro precisa de tempo para secar antes de ir ao forno. Se ele entra úmido demais, ele explode. Se ele entra seco demais, ele racha.
O mestre então pegou uma nova porção de argila e entregou ao jovem. — A tua pressa é o fogo que quer pular a etapa do secar. A minha paciência é o tempo que o barro precisa para se tornar forte.
O jovem olhou para as próprias mãos e, pela primeira vez, não sentiu pressa para terminar a peça, mas sim a urgência de fazer o processo corretamente.